
ASSOCIAÇÃO MUNDIAL DE ZOOS E AQUÁRIOS
Construindo um Futuro para
a Vida Selvagem
Estratégia Mundial dos Zoos e Aquários para a Conservação
Editor: Peter J. S. Olney Edição original em inglês por: WAZA Executive Office Graphic Arts Firm Bern, Switzerland Citação: WAZA (2005):
Construindo um Futuro para a Vida Selvagem – Estratégia Mundial dos Zoos e Aquários para a Conservação. Tradução da versão em português: |
Fotografia da capa: Libertação de fêmeas de © Christian Walzer, |
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Tradução para português, com autorização da WAZA, pelo Zoo de Lisboa |
| Prólogo | |
Felicito a Associação Mundial de Zoos e Aquários (WAZA) e os seus parceiros por completarem a importante tarefa de preparar esta Estratégia Mundial dos Zoos e Aquários para a Conservação (WZACS). Este documento, que surge em tempo, refina o pensamento anterior da Estratégia Mundial dos Zoos para a Conservação de 1993 e conduz as instituições de conservação ex situ para a corrente actual da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável. Esta estratégia proporciona uma filosofia comum para os Zoos e Aquários em todo o Mundo e define padrões e políticas com os quais espera atingir os seus objectivos de conservação. A sua primeira estratégia foi publicada numa época de grande esperança – os dias do Rio e o início da Convenção sobre a Biodiversidade – e foi guiada pela Estratégia Mundial para a Conservação da própria IUCN. Desde essa época, a situação para o ambiente não melhorou e a atenção mundial centra-se na economia e na segurança. Neste contexto, o papel crítico dos Zoos e Aquários no âmbito da conservação é mais importante do que nunca. Os Zoos e Aquários estão numa posição única: a de realizar a conservação de uma forma genuinamente integrada. Para os jovens das grandes cidades, os Zoos e Aquários são muitas vezes o primeiro contacto com a Natureza, agindo por isso como incubadoras dos conservacionistas de amanhã. A investigação conduzida pelos Zoos e Aquários é vital para a nossa compreensão dos componentes da biodiversidade e das suas interações. As campanhas de sensibilização pública e os programas de comunicação por vós supervisionados são fundamentais para fazer o público perceber a importância da Natureza, tanto estética como utilitária. Os vossos esforços para transmitir capacidade e tecnologia a colegas noutras partes do Mundo assegurarão uma contribuição a longo prazo dos Zoos e Aquários para a conservação da biodiversidade, ao mesmo tempo que promoverão um espírito de colaboração e cooperação muito necessário no nosso Mundo tão perturbado. Finalmente, o apoio financeiro por vós angariado para a conservação demonstrará o empenho das populações urbanas em manter as áreas selvagens do planeta Terra. O nosso futuro é incerto. Contudo, dado que a WAZA usa a sua Estratégia para mobilizar e entusiamar os mais de 600 milhões de pessoas que vos visitam todos os anos, o vosso papel no apoio à conservação da biodiversidade do nosso Planeta está assegurado. Um número significativo de membros da WAZA é também membro da IUCN e este documento proporciona uma “cópia em papel químico” da sua contribuição para implementar o Programa e Visão da IUCN de um “mundo justo que valoriza e conserva a N atureza”. Como parceiros na conservação, a IUCN deseja as boas-vindas à Estratégia Mundial dos Zoos e Aquários para a Conservação e deseja a todos o melhor sucesso na sua implementação. Achim Steiner |
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A Associação Mundial de Zoos e Aquários, então conhecida por União de Directores de Zoos, produziu a sua primeira Estratégia de Conservação em 1993. Este documento revolucionário articulava a visão do papel dos Zoos na conservação para os dez anos seguintes; era a primeira vez que a comunidade de Zoos tentava tal exercício. O documento foi um resultado da colaboração internacional de muitos profissionais eminentes, foi traduzido para muitos idiomas e tem sido o guia de conservação para os Zoos desde então. Em 2002, em preparação do 10.º aniversário da estratégia original, uma pequena mas importante reunião teve lugar: Ulie Seal, então Presidente do Conservation Breeding Specialist Group da IUCN, infelizmente falecido, Bill Conway, então Director da Wildlife Conservation Society , Bert de Boer, coordenador da Estratégia de Conservação de 1993, e Gunther Nogge, Director do Zoo de Colónia, na Alemanha, reuniram-se para discutir a estrutura de um novo documento estratégico construído sobre o sucesso do original mas também que demonstrasse outras formas através das quais os Zoos e Aquários pudessem apoiar, com sucesso, actividades de conservação. Este documento é fruto da sua deliberação e de um enorme trabalho de muitas pessoas desde esta primeira reunião. Quando o CBSG e a WAZA se reuniram para a sua reunião conjunta em Viena, em Agosto de 2002, realizaram-se workshops por forma a determinar qual deveria ser o conteúdo da nova estratégia e como deveria ser estruturada. Foram nomeados coordenadores de capítulos e foi identificada uma selecção de colaboradores para cada capítulo. Sob os auspícios da Comissão para a Conservação da WAZA, presidida por Jo Gipps, o processo de criação, leitura, edição, reescrita, alteração e melhoramento, que durou dois anos, levou à adopção formal do novo rascunho da estratégia na reunião anual da WAZA, em Taipei, em Novembro de 2004. Todos aqueles que contribuíram para este documento estão mencionados numa lista publicada no Anexo 3, por ordem alfabética. Esta lista inclui membros do Conselho da WAZA, da Comissão para a Conservação da WAZA, os autores de cada capítulo e todos aqueles que colaboraram e fizeram os seus comentários, os presentes nos workshops do CBSG e da WAZA, bem como, um grande número de pessoas que comentaram partes ou todo o documento, ao longo dos últimos dois anos. A lista é longa, repleta de nomes familiares de profissionais de dentro e de fora da comunidade de Zoos; agradecemos a todos muito sinceramente. As suas contribuições fizeram deste documento aquilo que esperamos que ele seja: uma verdadeira estratégia de conservação internacional para os Zoos e Aquários do Mundo para os próximos cinco a dez anos. Alguns colaboradores merecem menção especial: o Grupo Coordenador da Estratégia dos Zoos e Aquários para a Conservação consistiu em nós os dois, Miranda Stevenson, Peter Olney, Onnie Byers, Peter Dollinger, Chris West, Bert de Boer e Mark Reed (as suas afiliações são mencionadas no Apêndice 3) . Miranda Stevenson coordenou o projecto com extremo cuidado e bom humor, e Peter Olney editou-o, no seu modo usualmente impecável. Os nossos agradecimentos para Peter Dollinger, Director Executivo da WAZA, pelo seu árduo trabalho e competência na supervisão e design do documento. Estamos muito agradecidos ao Grupo Coordenador pelo seu tempo, energia e devoção ao projecto e aos nossos colegas do CBSG cujo apoio não é avaliável. A estratégia de 1993 consistia num Documento de Fundação e num Sumário Executivo. Esta nova estratégia também incluirá um Manual de Recursos (actualmente em preparação), o qual será usado por Zoos e Aquários individualmente, por associações regionais de Zoos e pela própria WAZA, por forma a desenvolver Planos de Acção que permitirão a implementação da Estratégia. Esta estratégia é dirigida a todos os membros da comunidade de Zoos e Aquários, e não só aos membros da WAZA. É também um documento que, esperamos nós, permitirá que esta comunidade se articule para uma audiência mais geral, naquelas que veja como as suas prioridades de conservação para o futuro. Como o Director Geral da IUCN diz no seu prólogo, não há dúvida de que os Zoos e Aquários têm um papel vital a desempenhar na conservação da biodiversidade do nosso Planeta. Nós esperamos que este documento descreva como é que os Zoos e Aquários em todo o Mundo podem, de facto, desempenhar o seu papel com sucesso e nós confiamos que colabore nesta tarefa. |
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Ed McAlister |
Jo Gipps Presidente, WAZA Conservation Committee |
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‘Hoje em dia, cada vez mais de nós vivemos em cidades e perdemos toda e qualquer ligação real com animais e plantas selvagens.’ (David Attenborough, 2004) |
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Existem duas razões bastante simples para existir uma Estratégia Mundial dos Zoos e Aquários para a Conservação (WZACS). Os profissionais dos Zoos, em todo o Mundo, beneficiariam de um documento coeso que proporcione um conjunto comum de objectivos. Ao mesmo tempo, muitas pessoas activas nos campos da defesa do ambiente e da conservação, ou apenas observadores que se preocupam e questionam acerca dos assuntos da conservação e do bem-estar animal, querem saber se devem ou não apoiar os Zoos. Deste modo, a WZACS tem, no mínimo, de proporcionar respostas a questões fundamentais, ao mesmo tempo que estabelece a melhor prática para os Zoos e Aquários em todo o Mundo. Porque é que os Zoos e Aquários existem? Quais são os seus propósitos e filosofia unificadores? Qual é a sua visão e relevância num Mundo que se depara com desafios sem precedentes, já que as necessidades dos seres humanos e dos animais e plantas parecem competir? Como é que podem ter uma influência mesurável na conservação do meio selvagem? Em suma, qual é o benefício em haver Zoos e Aquários e para que sucessos podem eles apontar imediatamente? A comunidade mundial de Zoos e Aquários sabe que tem um papel poderoso a desempenhar na obtenção da sustentabilidade global. Ao responder a estas questões, a comunidade deve inspirar as pessoas que visitam os Zoos a tomarem parte dos mesmos movimentos. A primeira Estratégia Mundial dos Zoos para a Conservação (WZCS) foi publicada há mais de 10 anos e foi baseada na Estratégia Mundial de Conservação da IUCN, “Caring for the Earth”, a qual, por sua vez, estava relacionada com a aceitação da Convenção sobre Biodiversidade (CBD), que teve lugar no Rio de Janeiro, em 1992, na Conferência sobre Desenvolvimento e Ambiente das Nações Unidas. A WZCS provou ser de extremo valor na informação dos leitores no que diz respeito ao que os Zoos podem, de facto, fazer e no estabelecimento de bases de entendimento e de objectivos comuns. Este segundo documento, a WZACS, define e explica a visão estratégica dos membros da Associação Mundial de Zoos e Aquários (WAZA) em apoio à sua missão de conservação. Este documento base determina as políticas e os padrões a serem atingidos nos tópicos relativos às actividades e funções-chave de todos os Zoos e Aquários, ainda que diversos, e concentra-se em realizações demonstráveis a longo prazo, no âmbito da conservação. Pretende-se proporcionar um anteprojecto para uma acção futura urgente, local e colectiva, dos Zoos e Aquários de todo o Mundo, através de políticas dirigidas e de uma série de manuais de acompanhamento contendo procedimentos mais detalhados e exemplos de boa prática. Para ter sucesso, a WZACS precisa de moldar um pensamento estratégico e conduzir um trabalho prático feito pelos membros da WAZA e, num sentido mais vasto, promover um sentimento de propósito comum, liderança e parceria com conservacionistas e ambientalistas (Caixa 1). A publicação desta segunda Estratégia surge no seguimento da Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, que teve lugar em Joanesburgo, em 2002, e reflecte diversas mudanças no ambiente operacional externo de todas as organizações de conservação e também as mudanças nas prioridades e princípios intrínsecos dos Zoos e Aquários, em todo o Mundo. |
Caixa 1 O que é a WAZA? MISSÃO E OBJECTIVOS DA WAZA A WAZA (Associação Mundial de Zoos e Aquários ) é uma organização global que unifica os princípios e práticas de mais de 1.000 Zoos e Aquários, os quais recebem mais de 600 milhões de visitantes por ano, e define padrões para o incremento das realizações em matéria de conservação. Os objectivos da WAZA são: 1. Promover a cooperação entre Zoos e Aquários no que diz respeito à conservação, gestão e reprodução dos animais aos seus cuidados; |
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Ameaças ambientais e perda de Biodiversidade Os Zoos e Aquários operam, neste momento, num mundo de crescentes ameaças ambientais e de redução da biodiversidade. Nos últimos dez anos, as alterações climáticas, a sobreexploração dos recursos naturais, o aumento do impacto negativo por parte de espécies invasoras e a degradação global do ambiente têm continuado. O valor e a vulnerabilidade das espécies e dos ecossistemas e a sua influência nos seres humanos tem sido pouco reflectido nos média; a percepção do público tem estado focada em conflitos, secas, fome e migrações, em vez das causas de base ligadas à utilização dos recursos naturais. Da mesma forma, o desenvolvimento humano e as exigências da sustentabilidade, bem como, as preocupações sobre a globalização e o corporativismo, dominam as agendas políticas internacionais. A sublinhar tudo isto está o facto essencial de que há demasiados seres humanos a consumirem uma proporção demasiado grande dos recursos naturais da Terra de forma a permitir às espécies não humanas uma fatia que assegure o seu futuro. O aumento previsto da população humana e a desigualdade da distribuição da riqueza entre e dentro das próprias nações são dois dos maiores problemas que a Humanidade enfrenta e que, directa e indirectamente, afectam a conservação de espécies e de habitats. Aos níveis actuais de consumo dos recursos naturais, a Humanidade precisa de três planetas do tamanho da Terra para sobreviver O resultado não é totalmente negativo. A Convenção sobre Biodiversidade (Caixa 3) deu origem a um grande número de iniciativas nacionais e regionais, muitas vezes apoiadas pela legislação. Foram desenvolvidas Estratégias Nacionais para a Biodiversidade e Planos de Acção para a Biodiversidade (BAPs), que operam a nível local com a comunidade e com observadores internacionais. Em muitos países, estão a ser fortalecidas as regulamentações ambientais e as empresas aumentam as responsabilidades pelas suas actividades. Existem tendências favoráveis no sentido do esforço integrado por parte de agências governamentais e não-governamentais internacionais, baseadas na ciência objectiva e na inevitabilidade do uso de equipas multidisciplinares. Há um maior entendimento e uma maior aceitação das sérias ameaças ao ambiente, à biodiversidade e, em última instância, à própria Humanidade. Têm sido feitos esforços para concentrar recursos de conservação limitados, através da identificação de hotspots da biodiversidade. Estes hotspots coincidem também com áreas de maior necessidade de desenvolvimento humano e apontam para uma orientação adicional no uso sustentável do ambiente. Os avanços tecnológicos vão provavelmente continuar e podem ter efeitos negativos e positivos. Surgirão benefícios contínuos da revolução da tecnologia global de informação no que se refere a partilha de informação e ao exercício de influência nas agendas políticas. Existe um potencial de soluções tecnológicas para todos os aspectos da produção de energia, gestão de resíduos e provisão de alimentos e água para as pessoas. Os benefícios económicos da gestão sustentável dos recursos naturais para o benefício das populações locais e a manutenção dos serviços ambientais no sentido de minimizar os efeitos das cheias, da erosão, da sedimentação, da poluição e outros problemas são claros, mas necessitam de ser automaticamente tomados em consideração quando as decisões são tomadas . |
Caixa 2 Ilustração das Tendências Ambientais Globais 1. Sobreexploração de recursos naturais, deflorestação, sobreexploração pesqueira, expansão de terrenos agrícolas/degradação de habitats, poluição, diminuição e fragmentação de habitats. |
Caixa 3 Convenção sobre a Biodiversidade (CBD) Artigo 9.º – Conservação ex situ |
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O papel dos Zoos e Aquários Em muitos países, ainda persiste a percepção histórica e social dos Zoos como menageries de entretenimenrto e, em alguns casos, esta é justificada. Um sector frequentemente hostil para os Zoos é o dos grupos de influência crescente dos direitos e bem-estar dos animais, que dão ênfase aos interesses dos animais como indivíduos em detrimento da conservação de espécies ou de ecossistemas; a oposição vem também da parte do movimento de conservação que duvida da justificação para retirar animais do meio selvagem. Se os Zoos e Aquários vão desempenhar um papel activo na conservação, deverão enfrentar a oposição de modo frontal, compreendendo as críticas, adaptando-se onde necessário e explicando as suas acções de forma a ganhar o apoio do público. Devem também deixar claro perante o público em geral que a sua missão é de conservação, conduzida em conjunto com os mais elevados padrões de bem-estar animal. Dentro destes contextos mais amplos, e seguindo as principais tendências, os Zoos e Aquários têm de atingir e promover uma visão mais clara do seu papel único e da contribuição que podem dar como parte de uma coligação global para a conservação. Há que conjugar uma maior coordenação de actividades e concentração de recursos em direcção das grandes prioridades com uma aplicação mais vasta de boas práticas de gestão, em particular a avaliação contínua do impacto de projectos-chave (Caixas 4 e 5). Os Zoos e Aquários a nível individual e a comunidade de Zoos são à partida talhados para darem ênfase aos aspectos globais da conservação. O conhecimento científico das interligações de todos os sistemas de vida e de habitats tem crescido bastante nos últimos anos e torna-se cada vez mais evidente que a conservação é não só uma questão de salvar espécies e habitats mas, para ser bem sucedida, necessita também de cooperação e de uma abordagem global. Os Zoos e Aquários, porque se preocupam e são especialistas em colecções de animais vivos de todo o Mundo, e devido à sua rede de trabalho global, podem desempenhar um papel fundamental na promoção da cooperação para a conservação a uma escala global. Só os Zoos, os Aquários e os jardins botânicos podem operar no espectro total das actividades de conservação, desde a reprodução ex situ de espécies ameaçadas, à investigação, educação do público e formação, bem como, exercer influência e advogar o apoio à conservação in situ das espécies, populações e seus habitats; os Zoos, Aquários e jardins botânicos têm um “público-cativo” vasto e único, cujo conhecimento, compreensão, atitude, comportamento e envolvimento podem ser positivamente influenciados e mantidos. Dispõem de um enorme recurso de capacidades técnicas e de profissionais dedicados. À medida que os habitats vão diminuindo e que as populações geridas através de colecções sob cuidados humanos aumentam, a definição do que é um Zoo, um jardim botânico, uma reserva, um conservacionista ex situ ou um conservacionista in situ , tornar-se-á, inevitavelmente, menos nítida. Os Zoos, Aquários e jardins botânicos têm uma oportunidade de se estabelecerem como modelos de conservação integrada , sendo a WZACS o meio para o fazerem de forma colectiva. Outros organismos, tais como, os departamentos governamentais e de órgãos de conservação, podem usar a WZACS e a abordagem da conservação integrada, já que tal trará benefícios a todos aqueles que estão evolvidos na conservação. |
Caixa 4 Como poderemos dizer que os esforços dos Zoos e Aquários para a conservação são bem sucedidos? INDICADORES QUALITATIVOS DO SUCESSO DA CONSERVAÇÃO 1. Populações de espécies selvagens cada vez mais asseguradas. |
Caixa 5 Definição de Conservação A conservação consiste num conjunto de acções que visam assegurar populações de espécies em habitats e ecossistemas naturais , a longo-prazo, e onde quer que isto seja possível. Apesar de as definições de conservação serem muitas e variadas, é crucial haver uma definição comum e directa, que todos compreendam e utilizem. A expressão sublinhada “habitats e ecossistemas naturais” significa que nenhum esforço é válido para um fim se não se traduzir na sobrevivência de animais e plantas em estado selvagem. Além disso, estas populações deverão ser capazes de se desenvolverem e evoluírem. Daqui se segue que devemos continuamente avaliar e rever o sucesso dos programas de conservação apoiados pelos Zoos e Aquários. |
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Confiança mútua |
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Talvez mais importante, não só os Zoos e Aquários têm a capacidade para se tornarem modelos de conservação integrada , como de facto devem fazê-lo. Devem mudar; para serem úteis, para serem pró-activos e para serem radicais na sua abordagem. O mundo à nossa volta mudou incomesuravelmente, nos últimos 10 anos, e, por isso, os Zoos e Aquários, bem como os seus profissionais também devem fazê-lo. Podem ser conservadores, educadores, cientistas e poderosas ferramentas para a mudança política se assim o desejarem. Por isso, têm uma escolha – criar uma nova identidade e objectivo ou ser deixados para trás no movimento da conservação. A WZACS dá aos Zoos e Aquários o mapa com o qual podem começar esta viagem e, apesar de alguns poderem estar já mais avançados do que outros, é tempo de todos passarem da marcha para a corrida (Caixa 6). A “Pongoland” do Zoo de Leipzig combina não só uma instalação de investigação com uma instalação actualizada para chimpanzés ( Pan troglodytes verus ) e outros grandes primatas, mas também faz a ligação da manutenção e reprodução ex situ dos chimpanzés aos esforços de conservação in situ da Wild Chimpanzee Foundation (WCF), na Costa do Marfim. Através de um contrato de cooperação a longo prazo, o Zoo assegura o apoio financeiro de projectos de conservação no Tai National Park. Projectos específicos são dirigidos para a sensibilização da população local em relação às ameaças aos chimpanzés, que se tornaram numa das espécies de grandes primatas mais ameaçadas de extinção. Através do entretenimento, os visitantes do Zoo de Leipzig aprendem sobre projectos de cooperação com o WCF; em paralelo, os habitantes locais na zona de distribuição dos chimpanzés são informados sobre as acções de conservação do Zoo de Leizig e sobre a investigação em “Pongoland” . Projecto da WAZA N.º 04020. |
Caixa 6 O Papel e as Funções que caracterizam um Futuro Ideal para os Zoos e Aquários 1. Aumentar o compromisso com a conservação no meio natural como principal objectivo e interesse de qualquer instituição zoológica. |
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Integrar a Conservação |
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Resumo Este capítulo explica como e porque é que os Zoos e Aquários necessitam de estar directamente associados a programas de conservação in situ e como e porque é que têm de integrar o seu trabalho no âmbito da conservação com as suas próprias actividades organizativas, a nível interno e externo. As actividades de conservação integradas são as que se relacionam com a forma como um Zoo ou Aquário está organizado e age com relação aos seus afazeres diários com os visitantes. As actividades externas integradas são aquelas que uma organização conduz fora do seu terreno. Tanto as actividades internas como as externas são enumeradas e discutidas, e sugeridas estratégias básicas. Dá-se especial destaque à colaboração, coordenação e comunicação. |
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Visão O maior objectivo dos Zoos e Aquários será integrar todos os aspectos do seu trabalho com actividades de conservação. Os elementos fundamentais da cultura de cada organização serão os valores da sustentabilidade e da conservação, bem como, da responsabilidade social e ambiental. Estes valores permearão todas as áreas do seu trabalho e serão entendidos e promovidos por todos aqueles que trabalham dentro da rede da WAZA . |
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1.1 Introdução Os Zoos e Aquários começaram a aperceber-se do seu potencial como uma força positiva e influente para a conservação da vida selvagem desde a década de 1950 e, por volta dos anos de 1960, foram incluindo, de forma crescente, a conservação como parte principal da sua missão global. Em todo o Mundo, existem Zoos e Aquários, em particular os membros da WAZA, que desempenham um papel poderoso na conservação da biodiversidade e que lutam de diversas formas para maximizar a sua contribuição para a conservação global. Actualmente, a aspiração da comunidade mundial de Zoos e Aquários é que todos os seus membros sejam directamente associados com programas de conservação in situ e que o seu envolvimento seja visto. Nenhum Zoo ou Aquário poderá, individualmente, contribuir de forma significativa para a conservação sem integrar a conservação na sua cultura organizativa; a conservação integrada deve ser um objectivo claro e explícito. A conservação integrada consegue-se de modo mais eficaz quando todas as actividades de um Zoo ou Aquário estão ligadas de forma conceptual e estão estrategicamente coordenadas, tanto a nível interno como externo; o seu principal objectivo é a conservação de espécies ameaçadas e a manutenção de ecossistemas saudáveis. Os processos de coordenação,colaboração e comunicação deverão tornar-se fáceis e rotineiros. Assim, a conservação integrada inclui um conjunto de processos internos através dos quais um Zoo tenta gerir todas as suas actividades e relações, no apoio a programas de conservação específicos e bem definidos. A conservação integrada pode também servir como bandeira sob a qual os programas de conservação podem ser dados a conhecer aos visitantes dos Zoos, aos seus apoiantes, aos média e ao público em geral. As actividades de conservação integrada variam nas diferentes partes do Mundo devido a factores sociais e culturais e da realidade quotidiana. Os Zoos localizados dentro das regiões de maior biodiversidade investem com frequência muito do seu tempo, energia e recursos financeiros a proporcionar tratamento e alojamento para indivíduos antes selvagens e livres. Entre estes, incluem-se os animais que entram em conflito com os habitantes de cidades e vilas, os animais confiscados do comércio ilegal, os animais retirados do meio selvagem para servirem como animais de estimação e que tenham deixado de ser desejados pelos seus donos, os animais que são |
vítimas de desastres naturais, como inundações, incêndios ou terramotos ou mesmo aqueles que se perdem, são abandonados ou roubados. Estes Zoos estão muitas vezes profundamente envolvidos em assuntos de bem-estar e isto pode afectar o modo como a instituição se compromete ou até mesmo interpreta a conservação integrada. Os Zoos e Aquários em todo o Mundo podem levar a cabo a conservação in situ no seu país ou no estrangeiro. Muitos Zoos na Europa e na América do Norte fazem grande parte do seu trabalho de conservação no estrangeiro, em particular no Hemisfério Sul –uma área de elevada biodiversidade –, trabalhando também na sua própria região, enquanto os Zoos e Aquários da Australásia – uma área que inclui alguns dos hotspots de espécies endémicas – dirigem colectivamente mais recursos para a conservação dentro da sua própria região do que fora desta. Muitos Zoos e Aquários em países com elevada biodiversidade, como acontece na América Central e do Sul, em África, no Sul e Leste da Ásia, ainda estão a tentar estabelecer os seus próprios papéis na conservação integrada. Estas instituições têm, muitas vezes, um número de visitantes significativamente mais elevado do que os Zoos noutras áreas e podem utilizar grande parte do trabalho e energia dos seus profissionais. Estes Zoos estão, contudo, idealmente situados para educar um grande número de pessoas acerca dos problemas de conservação e do potencial dos seus países. Assim, a noção de conservação integrada pode ter significados diferentes em locais diferentes. Há sempre uma potencial competição pelos recursos entre as actividades dos Zoos que geram receitas e os seus desejos e necessidades de conservação. Um Zoo ou Aquário que seja financeiramente bem sucedido poderá sempre canalizar ou angariar mais dinheiro para a conservação do que um Zoo que esteja a lutar para manter os seus compromissos para com os seus próprios animais, profissionais e visitantes. Contudo, qualquer Zoo ou Aquário, tenha ou não alguma verba excedente, pode encontrar meios significativos para contribuir para a conservação. Em última instância, é de esperar que, em vez de criar competição, o papel de conservação dos Zoos e Aquários se tornará tão bem integrado com o sucesso institucional que a boa conservação melhorará o orçamento institucional. A Estratégia Mundial dos Zoos e Aquários para a Conservação (WZACS) sublinha que este documento e este capítulo se aplicam a todos os Zoos e Aquários, sejam eles ricos ou pobres, tenham a dimensão ou as condições administrativas que tiverem e sejam de que país ou cultura forem. |
1.2 Conservação integrada interna e externa |
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A conservação integrada abraça duas áreas distintas de actividades, embora relacionadas: internas e externas. As actividades internas são as relacionadas com a forma como uma instituição se organiza e actua nas suas actividades diárias relativas aos visitantes. As actividades externas são aquelas que uma instituição conduz fora do seu terreno. Conservação integrada interna A maioria dos Zoos e Aquários em todo o Mundo já desempenha muitas actividades que poderiam ser descritas como componentes de conservação integrada interna, algumas das quais se mencionam na lista seguinte:
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No futuro, ao adoptarem uma estratégia de conservação integrada, os Zoos e Aquários vão igualmente poder:
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Conservação integrada externa A WZACS sublinha que o moderno e complexo mundo da conservação tem muitas agendas e muitos jogadores. Nenhuma organização isolada. seja ela um Zoo, um Aquário, uma institução de caridades ou uma organização de desenvolvimento deverá agir sozinha. As actividades de conservação deverão ser levadas a cabo de forma cooperativa, com todos os interessados a trabalharem no mesmo sentido, e evitando a competição ou a exploração. Os Zoos e Aquários activos na conservação devem colaborar de forma pró-activa com as agências para o desenvolvimento humano, as agências de conservação nacionais ou internacionais, os departamentos governamentais e as comunidades locais, de forma a assegurarem soluções sustentáveis a longo prazo. Grande parte das actividades em prol da conservação realizadas no passado falharam no cumprimento de agendas mais vastas, em particular no que se refere ao desenvolvimento humano, e isto ainda representa um considerável motivo de preocupação. Ao contrário do que acontece com muitas organizações para a conservação, que não são altamente visíveis para o público em geral, os Zoos e Aquários – uma vez que são atracções populares para os seus visitantes – têm oportunidades únicas para apresentarem o seu público a um mundo mais vasto e de explanar os assuntos ligados à conservação a nível internacional. Podem , com maior ênfase, sensibilizar o público no que diz respeito às questões da conservação, tanto sobre os problemas como as soluções, integrando o seu próprio trabalho com o de outras organizações para a conservação; ao demonstrarem essa integração, tornam-se numa espécie de “montra”. Podem também agir como espaço físico para redes de conservação integradas e organizações de desenvolvimento, proporcionando recursos centrais, tais como, locais para reuniões e formação. |
Muitos Zoos e Aquários já mantêm espécies integradas em programas de reprodução coordenados a nível nacional, regional ou internacional, colaborando com outros Zoos e outras instalações de reprodução. O padrão de envolvimento nestes programas varia por todo o Mundo; algumas regiões têm programas bem estabelecidos, enquanto outras estão ainda no seu início. Adoptando uma estratégia integrada de conservação, os Zoos e Aquários também serão capazes de:
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1.3 Conclusão A conservação integrada, como sublinhado acima, não é fácil de conseguir. No entanto, muitos Zoos e Aquários iniciaram este processo e o sucesso tem sido cada vez mais óbvio . |
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Recomendação A Estratégia Mundial dos Zoos e Aquários para a Conservação (WZACS) apela às instituições que sigam uma estratégia integrada de conservação e se esforcem por dirigir todos os seus recursos financeiros e humanos de forma cuidada e inteligente, maximizando um pensamento coerente e estratégico dentro da sua própria organização, e mantendo a maior colaboração com os outros. Isto permitirá atingir o máximo benefício sustentável para a conservação das espécies ameaçadas, dos seus habitats e dos seus vizinhos humanos . |
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2.1 Introdução A obrigação moral dos Zoos e Aquários para darem um contributo directo para a conservação in situ e para serem uma força mais enérgica para a conservação a nível internacional não é uma aspiração recente. Tem, no entanto, adquirido um maior movimento nos últimos tempos, porque as pessoas têm pretendido fazer algo pela conservação dos animais no meio selvagem, em vez de unicamente os observarem e adquirirem conhecimentos sobre eles, nos Zoos. Agora, é a altura para um movimento ainda mais vigoroso em direcção a uma acção concertada para a conservação, e para os Zoos e Aquários expandirem o seu apoio às actividades de conservação in situ e desenvolverem sistemas correspondentes de acreditação. |
Desde o princípio, é importante reconhecer que os Zoos e Aquários diferem nas suas capacidades para apoiarem a conservação in situ . Este capítulo define uma estrutura de trabalho para aquilo que pode ser conseguido, individualmente ou colaborando em parcerias. Não é normativo e, inevitavelmente, diferentes instituições irão envolver-se em diferentes actividades. O apoio à conservação in situ pode ser realizado por uma acção directa na recuperação de habitats e dos números das populações das espécies-alvo, ou por uma acção indirecta, através da educação, da angariação de fundos e da investigação no sentido de orientar a política e a prática. Estas abordagens indirectas, que são as mais detalhadas nos outros capítulos, são também brevemente mencionadas em seguida. |
2.2 Contexto international Nas secções introdutórias da Estratégia Mundial dos Zoos para a Conservação (WZCS), a Estratégia Mundial para a Conservação publicada pela IUCN, em 1980, foi citada como uma importante estrutura de trabalho para abordar a acção para a conservação. Contudo, o panorama político alterou-se quando a Convenção sobre Biodiversidade (CBD) foi adoptada na Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro, em 1992. A comunidade dos Zoos e Aquários tem agora de considerar os seus propósitos e acções para a conservação dentro deste contexto, em vez de desenvolver iniciativas baseadas no contexto de cada um, que sejam separadas da corrente de esforços definida para a conservação. Mais de 180 países assinaram a CBD (www.biodiv.org), que tem carácter legislativo e apresenta três objectivos: conservação da diversidade biológica; uso sustentável dos elementos da diversidade biológica; e a partilha justa e equitativa dos benefícios resultantes do uso dos recursos genéticos (veja também a Caixa 3). Um ponto importante a reter neste contexto internacional é que o CBD distingue entre “conservação” e “uso sustentável”, que são dois objectivos separados na convenção, ao contrário do que sucede na Estratégia Mundial para a Conservação, na qual o uso sustentável foi entendido como uma parte da conservação. |
A CBD é a convenção mais abrangente para a abordagem dos assuntos da conservação, mas existe um número de convenções complementares: a Convenção Ramsar sobre Zonas Húmidas, de 1971 (www.ramsar.org); a Convenção sobre o Património Mundial, de 1972 (www.unesco.org/whc); a Convenção sobre o Tráfico Internacional de Espécies Ameaçadas – CITES, de 1973 (www.cites.org); e a Convenção sobre Espécies Migratórias, de 1979 (www.wcmc.org.uk/cms). Estas são também importantes para a orientação das políticas da conservação. O movimento da política para as mudanças no terreno é conseguido através de vários planos de acção, em particular Planos de Acção para a Biodiversidade (BAPs), a nível regional, nacional e local. A nível nacional, estes são um requisito da CBD. Os Zoos e Aquários podem concentrar a sua atenção relativa à conservação nas prioridades dos BAPs, contribuindo desta forma para processos mais alargados e colaborando com um conjunto mais vasto de parceiros do que os disponíveis através da comunidade de zoos. Quando as BAPs são fracas, ou inexistentes, os Zoos e Aquários podem contribuir com informação, ideias e profissionais no sentido de formularem ou implementarem BAPs eficazes. |
2.3 Desenvolvimento Para além de considerarem o espectro da acção para a conservação, desde o nível global a local, os Zoos e Aquários têm de estar conscientes de que a eficácia da conservação e uso sustentável só tem boas probabilidades de se manter ao longo do tempo se os programas forem implementados no contexto das culturas locais, modos de vida e necessidades de desenvolvimento (www.unep-wcmc.org.uk/bdp). Em termos gerais, os Objectivos de Desenvolvimento para o Milénio das Nações Unidas (www.undp.org/mdg) proporcionam uma estrutura de trabalho útil para a abordagem deste assunto. A parte principal dos objectivos e alvos centra-se na redução da pobreza e da fome, bem como, na melhoria da saúde e da educação, mas existe também um objectivo de sustentabilidade ambiental até 2015, que foca o “outro lado da perda dos recursos ambientais”. É importante que este objectivo não seja esquecido, e que seja integrado na concretização dos outros objectivos de desenvolvimento. |
A tentativa de criar uma ponte entre as agendas relativas à conservação e ao desenvolvimento é um grande passo, mas se este puder ser realizado os Zoos e Aquários têm uma oportunidade para obterem, ou pelo menos tentarem obter, milhões de dólares e euros em apoio oficial para o desenvolvimento (frequentemente denominado “Auxílio”). A Caixa 2.1 mostra dois exemplos, um ao nível político e outro na área local, que dão uma ideia de como isto pode ser feito. Outras iniciativas para a conservação apoiadas pelos Zoos e Aquários realizaram abordagens comunitárias de gestão da vida selvagem, num esforço para assegurarem que estes interessados não contribuem de forma desproporcionada em prol da conservação internacional. Esta política pode ser eficaz e duradoura onde exista uma forte coesão social e uma capacidade para abordar a gestão da conservação através de parcerias.
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2.4 Reintroduções e translocações As primeiras propostas para a conservação de populações selvagens a realizar pelos Zoos assentavam na reprodução e reintrodução, e apoiavam-se no sucesso da reprodução do Bisonte-americano (Bison bison) e do Bisonte-europeu (Bison bonasus), respectivamente, em Zoos e parques de vida selvagem da América do Norte e da Europa. Os Zoos e Aquários podem actuar como “arcas de Noé”, nas quais populações cuidadosamente geridas são reproduzidas e os seus descendentes são libertados no meio selvagem. |
Em circunstâncias adequadas, os Zoos podem fornecer os animais, as competências e o conhecimento que forem necessários para a reprodução: identificando grupos de reprodutores (através de análise genética quando necessário); estabelecendo unidades sociais adequadas para o sucesso na reprodução e na criação; suprindo as necessidades comportamentais; determinando dietas e padrões de bem-estar animal. Através da combinação destes aspectos com o maneio, a implementação de um treino e aclimatação prévios à libertação, e a investigação conduzida no sentido de promover o sucesso na reprodução e reintrodução, os animais adequados podem ser disponibilizados para reintrodução no habitat natural. (Veja também o Capítulo 9.) |
| O espectacular sucesso inicial dos programas de recuperação do Órix-da-arábia ( Oryx leucoryx ), em Omã e na Arábia Saudita, demostrou que os animais nascidos e criados em Zoos poderiam ser libertados em áreas silvestres apropriadas, nas alturas pertinentes, e usando técnicas adequadas de libertação, no sentido de promover a recuperação das populações in situ . À medida que mais tentativas foram sendo realizadas, foram desenvolvidos padrões internacionais para a melhor prática nos projectos de reintrodução (www.iucn.org/themes/ssc/pubs/policy/reinte). Contudo, a lógica simples subjacente a esta abordagem dá, muitas vezes, uma imagem incorrecta da realidade complexa do terreno, e muitas tentativas para a reintrodução de espécies no habitat natural tiveram um sucesso limitado e/ou foram extremamente dispendiosas. Algumas das limitações óbvias relacionam-se com o facto de os animais terem de se adaptar aos perigos da vida selvagem; exemplos evidentes são a forte predação verificada sobre os Micos-leões-dourados (Leontopithecus rosalia) e os Lémures-vermelhos (Varecia variegata). Problemas ainda mais complexos surgem quando Gorilas (Gorilla gorilla) criados em Zoos e Chimpanzés (Pan troglodytes) que perderam o receio dos seres humanos são libertados em meio selvagem e entram em conflitos com as populações locais – apesar de terem sido libertados 17 Chimpanzés no Parque Nacional da Ilha Rubondo, na Tanzânia, entre 1966-69, e ter havido um aumento de cerca de 50 indivíduos. Os Zoos e Aquários precisam de promover a investigação no sentido de encontrar métodos para aumentar o sucesso na reintrodução. Novos factores de extinção poderão surgir em fases mais avançadas do restabelecimento, e que não estavam inicialmente presentes ou que não era necessário prevenir com antecedência. Por exemplo, o sucesso inicial do programa de recuperação do Órix-da-arábia, em Omã, foi radicalmente alterado por incentivos extra-territoriais à captura de animais nos outros locais; isto não podia ter sido previsto. Os projectos de reintrodução não tratam apenas da reintrodução de animais mas, em muitos casos, são uma combinação de factores ecológicos, sociais, económicos e políticos, que é preciso ter em consideração a longo prazo. A frustração e o fracasso podem ser o resultado a longo prazo da não consideração de aspectos sócio-económicos e da não realização de uma gestão adaptativa do projecto . A libertação dos animais com a finalidade de reduzir o efectivo de excedentes do Zoo ou sob o pretexto do bem-estar animal irá mais provavelmente aumentar os riscos de doença e conduzir a problemas de ordem comportamental e ambiental relativamente à fauna e flora locais, bem como outros perigos tanto para os seres humanos quanto para os animais, do que aumentar o sucesso da conservação das populações selvagens. Estas libertações deveriam ser limitadas a ocasiões em que tenham sido realizadas investigação e precauções adequadas, para assegurar que não existirá um impacto negativo nas populações selvagens ou nos ecossistemas. Deveria, também, existir uma monitorização cuidadosa após a libertação, de forma a reunir uma sólida informação científica, capaz de orientar futuras tentativas de introdução. Uma actividade importante que utiliza uma quantidade de competências provenientes dos programas de reintrodução é a translocação de animais selvagens. Esta pode ser feita, por exemplo, para reduzir os conflitos entre o Homem e os animais selvagens, onde estes matem o gado doméstico ou as pessoas (por ex. os Tigres, Panthera tigris , na Malásia) ou destruam a propriedade (por ex. os |
Elefantes, Loxodonta africana , no Zimbabwe ou no Botswana). À medida que a fragmentação dos habitats se torna mais extrema, e as alterações climáticas originam uma alteração nos seus limites e qualidade, a translocação irá, provavelmente, tornar-se uma ferramenta cada vez mais importante para a conservação in situ . As competências e conhecimentos dos profissionais com formação e experiência, nos Zoos e Aquários, assim como outros peritos em maneio, são necessários para orientar as agências ligadas à conservação, neste trabalho. Será escusado dizer que estes vários esforços pouco poderão fazer para ajudar as populações selvagens se não existirem competências e recursos disponíveis para a sua manutenção e gestão. Todos os programas de reintrodução e translocação necessitam de apoio a longo prazo por meio de investigação, tempo, dedicação e financiamento. |
Caixa 2.1 Criação de pontes entre as Agendas da Conservação e do Desenvolvimento Campanha da EAZA sobre o Comércio de Bushmeat Em 2000, foi lançada a Campanha da Associação Europeia de Zoos e Aquários (EAZA) sobre o Comércio de Bushmeat . Este esforço para a consciencialização do público e angariação de fundos incluiu uma petição pública, que foi assinada por 1,9 milhões de pessoas que visitaram Zoos europeus, e que visava apelar à União Europeia, através do seu Parlamento e Comissões, a realizar uma acção mais intensa para a preservação dos grandes primatas e outros grandes mamíferos que estão a ser dizimados pelo comércio de bushmeat . Os resultados, à altura desta edição, foram uma resolução do Parlamento Europeu no sentido de aumentar os investimentos europeus de auxílio (por exemplo, nos transportes) para as questões relativas ao bushmeat , e um apelo para uma maior aplicação europeia em iniciativas que melhorem a gestão do comércio do bushmeat . Parque Nacional de Royal Chitwan |
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2.5 Medicina-veterinária de animais selvagens Nos Zoos e Aquários, existe um elevado número de médicos-veterinários que trabalham com animais não domesticados, e estes profissionais podem contribuir activamente para a conservação in situ , bem como, para a edificação de um conjunto de competências e conhecimentos científicos que apoiem a intervenção no meio selvagem. Os Zoos e Aquários também proporcionam um recurso-chave para formação de veterinários de animais selvagens. O contributo dos veterinários ao trabalho de reintrodução envolve o tratamento e avaliação de doenças, e o controlo de parasitas e patogéneos nos Zoos e outras instituições que reproduzem animais, assim como, assegurar que não ocorrem problemas relacionados com doenças, stress ou ferimentos durante o processo de translocação e libertação. Entre estas duas etapas, os veterinários de animais selvagens também têm de realizar rastreios de saúde dos animais antes de estes serem reintroduzidos, para evitar a transmissão inadvertida de parasitas e organismos patogénicos dos centros de reprodução para as populações selvagens. A saúde da vida selvagem é também um assunto importante na conservação das populações selvagens. Na Caixa 2.2, é descrito um problema já de longa duração relacionado com a peste bovina. Doenças novas e emergentes estão a tornar-se um assunto urgente, epitomado pelos declínios catastróficos nas populações de anfíbios, em anos recentes, em pelo menos quatro continentes, como resultado do ataque por um novo fungo patogénico. Outras questões relacionadas com a vida selvagem também necessitam de ser compreendidas. Por exemplo, uma investigação sobre a Águia-marinha-de-steller, Haliaeetus pelagicus , conduzida pelo Zoo de Moscovo, demonstrou que o chumbo retido nas presas abatidas pelos caçadores estava a acumular-se no organismo das águias, causando a sua morte. A Wildlife Conservation Society , em Nova Iorque, está a conduzir uma pesquisa, na África Central, sobre o vírus ébola que, segundo é sugerido por dados pormenorizados, está a devastar populações de Gorilas-das-terras-baixas e Chimpanzés. Mais recentemente, o declínio rápido e acentuado das populações de abutres asiáticos tem sido relacionado com o uso da droga diclofenac, em animais domésticos, particularmente gado, cujas carcaças são o principal alimento dos abutres. |
A ligação entre a saúde humana e dos grandes símios necessita de uma atenção ainda mais detalhada, à luz do desenvolvimento do ecoturismo. Este pretende atribuir um maior valor aos recursos relativos à vida selvagem, que poderiam de outra forma ser destruídos, mas também conduz os turistas a uma maior proximidade com animais como os gorilas e chimpanzés. O turismo relacionado com os gorilas-da-montanha é um exemplo excelente desta situação: há evidências que demonstram que doenças humanas podem ser transmitidas a populações selvagens de grandes primatas. Os veterinários da vida selvagem têm um papel-chave a desempenhar na orientação das operações turísticas, de forma a salvaguardarem as populações selvagens de grandes primatas, e outras espécies, destes riscos. |
Caixa 2.2 Peste bovina A peste bovina, que foi transportada para África em gado infectado, nos anos de 1940, é um exemplo notório de uma doença importada. Por volta de 1890, esta doença tinha devastado as populações de ungulados que tinham evoluído no Quénia sem resistência ou tolerância à doença. A mortalidade inicial atingiu as centenas de milhares de indivíduos, tendo o cheiro das carcaças a apodrecer permanecido durante meses, nas savanas da África Oriental. Entre eles, incluíram-se o Gnu-azul do Serengeti, Connochaetes taurinus , cujos números diminuíram para cerca de 300,000 animais. A população apenas recuperou para números da ordem dos 1,5 milhões nos anos de 1960, depois de a peste bovina ter sido erradicada no gado doméstico e, consequentemente, nos ruminantes selvagens. É necessário monitorizar a presença de peste bovina nas populações selvagens, de modo a que os programas de erradicação possam concentrar-se em zonas de risco, tais como, a fronteira entre a Somália e o Quénia, onde se encontra o ameaçado Damalisco-de-hunter, Damaliscus hunteri . |
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2.6 Unidades de conservação in situ Todavia, as reintroduções, a saúde da vida selvagem e a investigação realizada através dos Zoos são, em si mesmas, insuficientes para se realizar a conservação in situ a longo prazo. Estas podem ser bem sucedidas apenas em circunstâncias limitadas, muitas vezes em casos de salvamento em situações limite, e com sucesso variável e indeterminado. São frequentemente muito dispendiosas. Os Zoos e Aquários terão de criar ou financiar unidades profissionais de conservação in situ , se quiserem tornar-se uma força principal da conservação. O trabalho destes profissionais de campo difere desde curtos levantamentos das situações até estudos de longo prazo. Os levantamentos e trabalhos de investigação de curta duração e objectivos restritos podem ser muito eficazes para a identificação de problemas, para o início de processos de gestão e para encorajarem a mudança política. Contudo, esta vertente necessita de um complemento proveniente da investigação a longo prazo, para dar a conhecer como vivem os animais no meio selvagem e quais são as |
ameaças que estes enfrentam, bem como os seus habitats. Esta informação será orientadora para as acções de conservação a longo prazo realizadas pelas agências ligadas à conservação. Para este passo, os Zoos e Aquários irão necessitar de investir no recrutamento, formação e manutenção de profissionais para a conservação in situ . É também importante que estes profissionais da conservação sejam instruídos ao nível de princípios sociais, económicos e institucionais, para além do conhecimento biológico e da experiência. A escala desta tarefa deve ser considerada, pois para os resultados da conservação serem duradouros é necessário que os guardas da Natureza e outros profissionais dos parques recebam formação e conhecimentos, que as comunidades locais sejam encorajadas a participar, e que os governos e empresas privadas sejam persuadidos a darem apoio; isto requer o recrutamento, e respectiva manutenção, de profissionais da conservação nos países onde se realizam as intervenções . |
2.7 Base de financiamento De forma a acelerar esta mudança, os Zoos e Aquários podem reunir recursos, particularmente financiamentos, para realizarem a conservação in situ , uma vez que muitos poderão não conseguir estabelecer as suas próprias “unidades de conservação in situ ”. Os Zoos e Aquários atraem mais de 600 milhões de visitantes por ano (www.waza.org) e frequentemente agregam-se em associações, que, em conjunto, englobam centenas de milhares de pessoas. Isto representa um largo segmento da sociedade com uma preocupação pela conservação, e representa um importante recurso para a angariação de fundos destinados à conservação in situ . O leque de actividades e abordagens que os Zoos e Aquários podem utilizar para financiarem projectos in situ é enorme, assim como as somas que poderão ser reunidas. Por exemplo, uma revisão dos Zoos Britânicos e Irlandeses correspondente a três anos (1997-2000) mostrou que os Zoos dispenderam mais de cinco milhões de libras para a conservação in situ . As campanhas anuais da EAZA para a conservação (que excluem projectos individuais) angariaram mais de 250.000 euros por ano e os Zoos Victoria (Australia) direccionam cerca de 300.000 dólares australianos por ano para projectos in situ. A Wildlife Conservation Society , com sede no Zoo de Bronx, em Nova Iorque, dispende cerca de 32 milhões de dólares por ano em projectos de conservação in situ . Os montantes resultantes da bilhética podem ser suplementados através de patrocínios |
empresariais ou bolsas de fundações ou dos governos, e estes poderão aumentar o potencial para a congregação de grandes somas destinadas à conservação in situ . A extensão do financiamento para a conservação in situ realizado pelos Zoos e Aquários varia muito. As grandes instituições despendem somas substanciais, mas, de igual modo, grupos de Zoos têm colaborado para atingirem objectivos particulares de conservação. Por exemplo, o Grupo para a Fauna de Madagáscar (MFG, www.madagascarfaunagrupo.org ), que foi formado por um consórcio de 39 Zoos, financia actividades de campo, incluindo a educação para a conservação e reintroduções de lémures. Em 2003, mais de 120 Zoos da EAZA, bem como Zoos australianos, russos e europeus não membros da EAZA, juntaram-se para reunir fundos para nove projectos in situ, para a conservação dos tigres, apoiados pela campanha “21 st Century Tiger”. As actividades de angariação de fundos são abertas a Zoos de todas as dimensões; os mais pequenos podem contribuir para consórcios maiores, de forma a assegurar que, no global, são reunidos fundos suficientes para se conseguir fazer a diferença no terreno. Não há dúvida de que ao serem observados num envolvimento activo para a conservação in situ , os Zoos e Aquários irão atrair uma base de patrocínio mais alargada. |
| 2.8 Melhoramento dos Zoos e Aquários a nível local A importância dos Zoos como refúgios para a vida selvagem urbana ou rural não tem, muitas vezes, um enfoque suficiente, mas os Zoos podem ser geridos de forma a melhorarem os habitats de espécies raras que não se encontram na sua colecção. Muitos animais silvestres podem ser auxiliados pelas seguintes práticas: plantando canteiros e sebes; deixando herbáceas e troncos apodrecidos para os insectos; criando lagos; fornecendo alimento em alturas importantes; oferecendo protecção na forma de caixas-ninho para aves e arganazes, ou caixas-abrigo para morcegos. Algumas destas espécies |
podem ser raras a nível local ou nacional, tais como, o Pardal-doméstico ( Passer domesticus ) no Zoo de Londres, e a Tartaruga-dos-juncos ( Clemmys muhlenbergii ), no Zoo de Baltimore. Além disso, os Zoos e Aquários deveriam informar os seus visitantes sobre as actividades de conservação realizadas, de forma a poderem incentivar o seu apoio e informarem-nos sobre a vida selvagem local, tanto vegetal como animal. |
2.9 Cursos de formação Para os Zoos e Aquários que planeiam apoiar uma conservação in situ eficaz, assim como, aumentar a sua própria capacidade de conduzirem avaliações e pesquisas, e implementarem a actividade de conservação, há necessidade de desenvolver novas competências de gestão. A conservação in situ é, geralmente, realizada longe da instituição que a realiza, possivelmente noutro país, onde é necessário trabalhar através de agências governamentais, frequentemente noutra língua e com uma cultura diferente, e os profissionais da conservação in situ têm de ser assegurados a grandes distâncias. Existe uma necessidade permanente de formar os profissionais que trabalham com a vida selvagem e florestas, em parques nacionais e Zoos e Aquários de países onde os recursos para a formação e educação são escassos, mas onde vivem muitos animais e plantas raros. Os Zoos e Aquários podem oferecer centros de formação ideais para estes profissionais, |
com cursos especialmente concebidos para se adequarem a uma diversidade de participantes. Entre os exemplos a longo prazo, incluem-se o Smithsonian Institution's Conservation and Research Center (www.nationalzoo.si.edu/ConservationAndScience/CRC), em Front Royal, Virgínia, EUA, e o Durrell Wildlife Conservation Trust's International Training Centre (www.durrellwildlife.org), em Jersey, nas Ilhas Britânicas. O facto de possuírem uma diversidade de animais no local oferece um importante recurso aos cursos de formação para o aumento de competências, que, por sua vez, ajudam a construir redes de trabalho a nível mundial entre profissionais com ideias semelhantes. O próximo passo neste aumento de capacidades realiza-se através do trabalho dos Zoos e de outras instituições com reconhecido sucesso ao nível destas formações em proximidade com outros Zoos e Aquários que tenham a capacidade financeira e o interesse para ensinarem os organizadores e formadores. |
2.10 Avaliação Existem poucos trabalhos publicados até à data que quantifiquem a eficácia dos projectos de conservação mantidos pelos Zoos e Aquários, ou por outros tipos de organizações que trabalham para a
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conservação, e existe uma necessidade de métodos objectivos de avaliação do sucesso destes projectos. |
2.11 C onclusão Os Zoos e Aquários estão numa posição ideal para contribuírem directamente para a conservação in situ , tanto no próprio país como nos outros, através da combinação de duas abordagens. Em primeiro lugar, têm qualificações únicas para fornecerem competências e informação nas áreas do maneio, bem-estar animal, reprodução, gestão de pequenas populações e medicina-veterinária de animais selvagens. Em segundo, podem implementar projectos in situ através da cooperação com parceiros locais e com instituições que apoiem estes projectos. A presença simultânea invulgar destes dois níveis de capacidades, especialização e informação oferece uma importante oportunidade para que os Zoos e Aquários contribuam para a conservação in situ . Em suma, os Zoos e Aquários podem realizar uma acção directa para a conservação das populações selvagens através de:
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Esta acção directa para a conservação precisa de ser complementada e apoiada por uma acção indirecta para a conservação: investigação sobre genética, fisiologia, nutrição, comportamento, ecologia comportamental, bem-estar animal e reprodução; angariação de fundos para apoiar actividades in situ ; educação e consciencialização; e trabalho político.
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Recomendações A Estratégia Mundial dos Zoos e Aquários para a Conservação (WZACS) apela a todos os Zoos e Aquários a incrementarem o seu apoio à conservação in situ . A WZACS tem a opinião de que os Zoos e Aquários, encorajados pela WAZA e pelas suas associações regionais e nacionais, deveriam concentrar os seus objectivos e acções para a conservação dentro dos Planos de Acção para a Biodiversidade, aos níveis local, nacional ou regional e/ou em programas similares para a recuperação de espécies; nos locais onde estes não tenham sido estabelecidos ou não sejam eficazes, a sua existência deveria ser iniciada, apoiada ou reforçada. A WZACS enfatiza que os Zoos e Aquários não devem trabalhar de forma independente em programas de reintrodução ou translocação, mas sim em cooperação com outras instituições, e sempre com as autoridades governamentais competentes, os grupos de especialistas da IUCN/SSC e outras agências governamentais e não-governamentais para a conservação, particularmente as situadas nos países de origem das espécies, e também com as associações relevantes de Zoos e Aquários, nacionais ou regionais. A WZACS recomenda vivamente que, onde seja possível, os Zoos e Aquários recrutem, formem e apoiem profissionais para trabalharem na conservação in situ ; a WZACS também congratula os Zoos e Aquários que tenham criado cursos de formação para profissionais da conservação, e encoraja outras instituições a considerarem a criação dos seus próprios cursos de modo a oferecerem apoio aos cursos já iniciados. A WZACS apela às associações nacionais e regionais e todos os Zoos e Aquários, sejam de pequenas ou grandes dimensões, para que se envolvam activamente na angariação de fundos para a conservação in situ . A WZACS recomenda às associações regionais e nacionais de Zoos que dediquem tempo e dinheiro a definirem e implementarem métodos de avaliação das contribuições para a conservação realizadas pelos seus membros. |
| Para trás a Índice de Conteúdos |
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Ciência e Investigação |
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Resumo Este capítulo apresenta uma visão dos Zoos e Aquários como instituições científicas sérias e respeitadoras, integradas na comunidade de investigação e produtoras de decisões sãs para a vida selvagem. O capítulo argumenta que, através das suas colecções vivas, os Zoos e Aquários podem contribuir de forma única para a investigação dirigida para a conservação . Adicionalmente, proporcionam um local onde os investigadores se podem reunir, assistindo assim na compreensão do público sobre a ciência e oferecendo oportunidades que aumentem a consciencialização das pessoas acerca da investigação e das suas implicações na conservação. Os Zoos e Aquários podem levar a cabo a sua investigação de modo a ampliarem os seus objectivos e os objectivos de outros (i.e. colaborando com universidades). As categorias de investigação incluem investigação em ciência biológica pura e aplicada (i.e. biologia de pequenas populações, comportamento, nutrição, biologia reprodutiva), investigação sobre conservação in situ (i.e. ecologia comportamental, estudo do habitat) e investigação direccionada para o desenvolvimento de outros papéis (i.e. aprendizagem do visitante, marketing, avaliação de instalações). Discute-se que todos os projectos de investigação que contribuem para a conservação deverão ser registados e a informação amplamente disponibilizada de forma acessível. Estão a ser desenvolvidas bases de dados para ajudar neste propósito. Os Zoos e Aquários podem desenvolver a sua capacidade de investigação apoiando os seus profissionais na investigação de assuntos específicos, desenvolvendo parcerias com universidades e apoiando publicações regulares, simpósios e workshops para a apresentação e discussão de investigação científica. O aumento da acessibilidade dos resultados (tanto para a comunidade académica como de Zoos e Aquários) e a partilha de técnicas e experiências maximizam o benefício da investigação. Encorajando o acesso às suas colecções animais e aos seus materiais, os Zoos e Aquários ajudam a desenvolver os investigadores do futuro. Concluindo, há muito espaço para os Zoos e Aquários desenvolverem a investigação científica que lhes permita apoiar a tomada de decisões dentro das suas colecções, bem como, para contribuir para a conservação de campo. |
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VisãoOs Zoos e Aquários estão plena e activamente integrados na comunidade de investigação e na consciencialização e compreensão pública no que diz respeito à ciência, sendo vistos como instituições cientificas sérias e respeitadas que fazem contribuições significativas e tomam decisões sãs em relação à vida selvagem, em todo o Mundo. |
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3.1 Introdução O Mundo enfrenta uma crise no âmbito da conservação simultaneamente urgente e de enormes proporções. A investigação cientifica é vital para ajudar a identificar e solucionar os desafios ao seu alcance. Para sermos mais eficazes na conservação in situ , temos de dar prioridade à investigação que tenha implicações claras e significativas para a preservação das populações selvagens e dos seus habitats. Só através de programas de investigação sustentáveis teremos sucesso na identificação de problemas de conservação, no estabelecimento de prioridades de acção, na implementação de intervenções de conservação e na monitorização dos efeitos das nossas acções. Desde a publicação da Estratégia de Conservação, há pouco mais de 10 anos, a investigação em Zoos e Aquários expandiu-se em alcance, qualidade e importância. Apesar desta vaga, os Zoos e Aquários têm de fazer ainda mais durante os próximos 10 anos. |